Esse ano eu tenho uma visão e perspectiva diferente do Dia dos Pais, que é nesse próximo fim de semana. E percebendo toda a movimentação em torno da data, que em verdade é muito menor que a mobilização pelo Dia das Mães, eu tenho refletido sobre a roupagem de função de pai enquanto casado com a mãe, dentro do núcleo familiar, e dos pais que se separam ou nunca foram casados com as mães de seus filhos.
Minha mãe, que se separou duas vezes – de meu pai biológico e de meu pai adotivo – tem uma frase muito triste e que não sai da minha cabeça nessa semana: “Pai só é pai enquanto é marido”. A partir do momento que ele sai da relação, separando-se da mãe, deixa de lado tudo o que englobava esse seu universo de antes, inclusive os filhos. Eu, sinceramente, acho isso de uma tristeza angustiante e não consigo conceber como é que um pai, que viu seus filhos sendo gerados na barriga da mulher que, na época, eles amavam (assim espera-se, né?!?), presenciou o nascimento das crianças, trocou fraldas, passou noites em claro, levou ao hospital, alimentou… depois de tudo isso como é que muitos homens podem simplesmente sair de casa e deixar seus filhos para trás?
Eu conheço de perto homens que deixaram seus filhos sob total responsabilidade das mães, como se não tivessem nenhum compromisso com as crianças. Meu pai biológico mesmo é o grande exemplo: separou-se de minha mãe enquanto eu ainda era bem criança, com apenas dois anos. Saiu de casa, nunca pagou um centavo, não acompanhou minha criação, não soube de minha educação e não se importava em me ver.
Já vi muitas outras histórias de pais muito amáveis que, quando se separaram das esposas, alegaram não ter dinheiro para pagar a pensão, passaram semanas distantes dos filhos, iam ver as crianças em situações pontuais… como esse blog é meu e ele expressa as minhas opiniões e eu vou falar o que eu realmente acho disso: acho de uma covardia e de uma omissão tremenda. Acho o cúmulo um homem que se compromete a formar uma família, que planeja em conjunto com a mulher ter filhos, depois abandona o barco, deixando toda a responsabilidade financeira, moral e social para a mãe.
A Calu, minha amiga e companheira de trabalho na
Mulher e Mãe, escreveu, tempos atrás, um texto ousado e em tom de desabafo, contando sua experiência pós-separação dos pais de seus gêmeos (
que você pode ler aqui). No post, ela contava, com um certo sentimento negativo, que seu marido, quando se separou dela, voltou a ter uma vida de playboy solteiro: morava sozinho num loft maravilhoso, tinha suas noites livres, podendo jantar, sair com os amigos e ainda estaria livre para um novo relacionamento como se nada tivesse acontecido em sua vida antes. Pagar a pensão e ir passar uma tarde, com os filhos tomadinhos banho, é fácil. Fácil é ser pai assim, sem compromisso, saindo apenas para passear na playland do shopping.
Já a mulher é quem fica com o ônus da criação dos filhos, é quem acorda na madrugada, é quem leva e busca da escola, é quem se preocupa com o que eles vão comer, é quem faz as tarefas de casa junto. A mãe, depois de separada, não tem todas as noites e fins de semana de Cinderela, como o pai, que pode dormir a hora que quiser, sair quando quiser, jogar Poker a noite que quiser. A mãe tem uma agenda a cumprir.
Mas, no fundo, Calu diz que existe um grande bônus nessa história toda e eu compartilho. Eu JAMAIS aceitaria ver meus filhos uma vez por semana. Me recuso, por meus princípios de maternidade, não saber se eles estão bem alimentados, se estão indo bem na escola. Não conseguiria viver uma vida plena, por mais legais que fossem as minhas noites na balada com os amigos da antiga juventude, em passar quatro horas com meus filhos no fim de semana. Ser pai, para mim, não é isso. Praticar a paternidade é participar! É gastar tempo. É dedicar-se. É compartilhar momentos. É conversar. É saber da rotina. É ir junto à festinha da escola.
E o que mais me espanta e me deixa triste é ver filhos que passaram por essa omissão de seus pais e que hoje, 30 anos depois, repetem o mesmo comportamento. Sofreram a falta de seus pais em casa e fazem e-xa-ta-men-te igual. Lógico, foi assim que eles aprenderam. É o referencial que eles têm. Que pena que as experiências negativas a que foram submetidos não os fez mudar o caminho e tentar fazer tudo diferente. Que pena!
Mas, o que eu posso fazer em relação a isso? Talvez o mais eficiente que eu possa fazer é criar meus filhos homens mostrando a eles o valor de uma família, para que tenham ombridade suficiente de não abandonar suas esposas em vida, deixando para elas apenas a responsabilidade de arcar com uma escolha que foi feita por ambos. Que eles tenham coragem suficiente de viver uma paternidade plena, não escondendo-se atrás de grandes mulheres. Que eu tenha sabedoria para ensinar a meus meninos o doce sabor de ser PAI em letras garrafais.